sábado, 16 de outubro de 2021

ABERTURA DE EXPOSIÇÃO "FAZ MAL!" DE NADJA ABT - 16.10.21 a 27.11.21


                 

 

Faz Diferença – um poema de Nadja Abt


Num grande supermercado em Lisboa, descobrimos uma lata de bacalhau cujo motivo chamou a nossa atenção. Uma dona-de-casa com um avental de cozinha segurando o peixe seco nas mãos.

Não és um peixe, és um OVNI, uma guitarra de rock, és Cristo na cruz nas mãos de Maria, és uma vagina supostamente fedorenta, és o emblema do mar sangrento, és tradição em Portugal, na Grécia, na Noruega, na Alemanha, és uma arma e agora estamos a usar esta arma. Contra o patriarcado. Não precisamos de avental para isso, mas obrigada de qualquer forma pelo presente do Dia da Mãe.

BACALHAU BACURAU

É transportado nas mãos da mulher radiante feliz. No entanto, sabemos o peso que esta coisa seca pesa nos braços. E como cheira mal.

Não faz mal.

Tudo importa.

FAZ MAL!

Fass mal nicht an.

Não mexe.

Vamos fazer o que homem nos diz para NÃO fazermos.

Nada de mal, apenas não é nada.

Esta é uma viagem anti-cruzeiro. Não andamos em círculos, damos meia-volta.

Estamos a dar a volta a nós próprios.

Ficamos em terra, porque não queremos descobrir. Descobrimo-nos a nós próprios.


To the journeywoman pieces of myself. (Audre Lorde)








Nadja Abt (n. Vladimirovich) é artista e autora que vive entre Berlim e Lisboa. Abt estudou literatura e história da arte na Freie Universität de Berlim e artes visuais na Universidade das Belas Artes de Berlim e na Universidade Torcuato di Tella em Buenos Aires. Na sua obra, ela constrói narrativas feministas que fazem referência ao mundo literário e cinematográfico. Recentemente apresentou exposições e performances na HUA international Gallery, Pequim; Bärenzwinger Berlin; Pogo Bar/KW-Institute for Contemporary Art, Berlim; Haus der Kulturen der Welt, Berlim; Pivô, São Paulo; Casa Triângulo, São Paulo. Continua patente a sua exposição individual na Kunsthalle Freeport, Porto até 29 Outubro. 













Faz Diferença – a poem by Nadja Abt



In a large supermarket in Lisbon, we discovered a cod can whose motif caught our attention. A housewife with a cooking apron holding the dried fish in her hands.

You are not a fish, you are a UFO, a rock guitar, you are Christ on the cross in the hands of Mary, you are a supposedly stinking vagina, you are the emblem of bloody seafaring, you are tradition in Portugal, in Greece, in Norway, in Germany, you are a weapon and we are now using this weapon. Against patriarchy. We don't need an apron for that, but thanks anyway for the Mother's Day gift.

BACALHAU BACURAU

You are carried in the hands of the happy beaming woman. Yet we know how heavy this dried thing weighs in the arms. And how it stinks.

Não faz mal.

Anything matters.

FAZ MAL!

Fass mal nicht an.

Don`t touch it.

We're going to do what Man tells us NOT to do.

Nothing bad. Just not nothing.

This is an anti-seafaring voyage. We don't go around in circles, we turn around.

We are turning around ourselves.

We stay on land, because we don't want to discover.

We discover ourselves.


                To the journeywoman pieces of myself. (Audre Lorde)



* Não faz mal is a Portuguese expression meaning: It`s okay, never mind, it doesn`t matter. Faz Mal means: it`s bad, it does harm. Faz Mal! can also mean: Make something bad!







Nadja Abt (b. Vladimirovich) is an artist and writer who lives between Berlin and Lisbon. Abt studied Literature and Art History at Freie Universität Berlin as well as Fine Arts at Universität der Künste Berlin and the Universidad Torcuato di Tella in Buenos Aires. In her works, she constructs feminist narratives that reference the world of literature and film. Recent exhibitions and performances include HUA International Gallery, Beijing; Bärenzwinger, Berlin; Pogo Bar/KW-Institute for Contemporary Art, Berlin; Haus der Kulturen der Welt, Berlin; Pivô, São Paulo; Casa Triângulo, São Paulo. Her solo exhibition at Kunsthalle Freeport, Porto, is on view until 29 October.


terça-feira, 7 de setembro de 2021

ABERTURA DE EXPOSIÇÕES | 11 DE SETEMBRO | 16.00 - 20.00 NA GALERIA DIFERENÇA

 

Em Voo Duplo observamos o resultado e os vestígios de mais de um mês de trabalho colaborativo entre dois artistas em formato de residência onde são exploradas linguagens escultóricas e de performance audiovisual. Maria Ribeiro e Francisco Trêpa exploram juntos a dimensão material do reflexo e abordam uma esfera de processos que refletem sobre o conceito de armadilha através de métodos que capturam imagens.


excerto de texto de Carolina Pelletier Fontes







a leveza não se traduz nem explica , não se ilustra nem comenta — como não se  deseja nem se procura sem antes saber que há ., a riqueza que a suporta raramente  é percebida .. surgem ambas sempre em estado simples ainda se o processo para a  atingir esteja longe de o ser . 

divagam imagens surtidas por entre imaginários : vagueiam como registos  fósseis ., ou evocando linhas galácticas ., ou redes neurais ., filamentos de partículas sub-atómicas ... , ou como meras folhas raízes poeiras e areias , mais acessíveis  e ordinárias  

contudo , aqui , os gestos para obter novas impressões , não são dirigidos a seres  iluminados ( que revelarão o seu instante e presença pela luz ) , mas a sombras por  fixar ( que se irão revelar , à luz , pelo tempo , variável )  


excerto de texto de Manuel Rodrigues